Publicado em 02/04/2026
Entrevista realizada com Davi Palmeira, Coordenador Operacional da Agência do Bem, responsável pela equipe de produção das orquestras da organização.
1) Qual a importância da Agência do Bem criar e manter grupos musicais como a Camerata Ventos do Norte em cidades como Campos dos Goytacazes?
A criação e manutenção de grupos como a Camerata Ventos do Norte está diretamente ligada à descentralização territorial dos nossos grupos orquestrais. Hoje, grande parte dessas formações está concentrada na cidade do Rio de Janeiro e na região metropolitana, que já contam com uma oferta cultural mais ampla. Nesse contexto, os alunos dessas regiões acabam tendo mais oportunidades de acesso à prática orquestral e a um processo formativo mais completo.

Os grupos orquestrais da Agência do Bem — como a OJG, a OCNS e a 021 Banda Sinfônica — fazem parte da Escola de Música e Cidadania, e são espaços fundamentais de desenvolvimento para os alunos, que podem se inscrever por meio de audições e vivenciar a rotina de um grupo orquestral. No entanto, por estarem concentrados no Rio de Janeiro, muitos alunos de outros polos acabam tendo esse acesso mais limitado.
Ao expandirmos para cidades como Campos dos Goytacazes, aproximamos essa experiência desses territórios, garantindo que mais alunos possam acessar a prática orquestral e tudo o que ela proporciona — como disciplina, escuta coletiva, sensibilidade artística e construção em grupo.
2) O que significa para você e a equipe de produção saber que as orquestras já se apresentaram em importantes casas culturais?
Se, por um lado, falamos de descentralização, por outro, ocupar espaços simbólicos e historicamente relevantes também é fundamental. Estar em palcos como a Sala Cecília Meireles, o Imperator, o MASP, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o L’Olympia proporciona aos alunos uma experiência artística completa, que vai além da técnica musical — envolve pertencimento, reconhecimento e a compreensão de que esses espaços também são deles.
Para a equipe de produção, é igualmente significativo, pois representa a consolidação do trabalho da instituição e a oportunidade de atuar em equipamentos culturais de grande relevância, elevando o nível das entregas e ampliando o impacto do projeto. Também reforça o compromisso da Agência do Bem com a formação integral dos alunos, garantindo não apenas o acesso, mas a vivência plena de importantes circuitos culturais, no Brasil e no exterior.
3) Você nota que existe um amadurecimento nos grupos orquestrais, tanto na questão técnica/musical quanto no entrosamento do grupo? Comente um pouco sobre isso.
Sem dúvida. O amadurecimento dos grupos é muito perceptível, tanto no aspecto técnico quanto no entrosamento coletivo. Mesmo em pouco tempo — como no caso da Camerata Ventos do Norte, com cerca de quatro meses de ensaios — já é possível observar um nível técnico e uma coesão de grupo bastante impressionantes. Nos grupos com mais tempo de formação, esse processo se aprofunda ainda mais: eles desenvolvem uma identidade própria, tanto musical quanto relacional. Cada grupo passa a ter seu perfil, sua forma de se expressar e de se organizar internamente. Esse entrosamento é fundamental, porque a prática orquestral exige justamente essa escuta ativa e essa construção coletiva constante.



